04 Novembro 2009

Malvadezas dessa vida...

04 Novembro 2009


Esse é o gordinho Naná, meu melhor amigo. Desde 2.ooo, quando voltei ao Recife, esbarramos um no outro e a amizade surgiu como um jardim sem dono. Quando fui morar no Poço, nossas idéias se combinaram. Torcemos pelo mesmo clube, o Santa Cruz, gostamos de coisas parecidas, de ações com a comunidade, adoramos o mesmo boteco, o de Seu Vital. Moramos na mesma rua, a Visconde de Araguaya, ao lado da igreja.




Naná sempre está de Komby. É seu ganha pão. Vive levando gente. Um dia, resolveu levar a criançada para a escola, e virou um belo projeto, que envolveu toda a comunidade. Tenho mais horas nos bancos daquela Komby do que muito motorista do Recife. É um privilégio ser amigo de Naná.



Muitas vezes tenho uma idéia, e quando vou falar, ele diz:



“Bicho, estou com uma idéia…”



É a mesma.



Quando morava no Poço, cansei de receber almoço pela janela. Perdi a conta dos cafés da manhã juntos, depois de levarmos a meninada ao Nilo Pereira, fazendo adivinhação e cantando a música do “Arubu tá com fome”, invenção de Maraí.



Naná tem uma pedagogia própria, que é a minha há muitos anos. A “Pedagogia da Cola”. Se um menino dá trabalho, ao invés de dar carões e coisas do tipo, ele acha que é preciso “colar”. Conversar, escutar, dar atenção. Sempre deu certo.



Nos falamos religiosamente todos os dias por telefone. Só para escutar a voz do outro. Quando ele liga, sempre respondo:



“Diz aí, Montanha, qual é a tua?”



Ele diz onde está e pergunta qual é a minha.



Sim, eu só o chamo de Montanha, desde que nos conhecemos. Ele parece mesmo uma montanha de coisas boas, de carinho, cuidado. Por onde passa, Naná deixa alegria e saudades. Uma das pessoas mais generosas que conheço. É sempre ele que chega e diz que alguém está precisando de ajuda. É sempre ele quem vê o lado bom das coisas.



Certa vez, Naná teve um grande acidente, ficou entre a vida e a morte, internado vários meses na Restauração. Foi um milagre ter sobrevivido. Uma vez ele me contou. Teresa, sua esposa, pensou que ele não escaparia.



“Depois disso, bicho, eu vivo cada dia como se fosse o último. Não tenho mais tempo de ficar pensando em coisa ruim. A vida é boa demais para a gente reclamar”.



Ontem de madrugada, roubaram a Komby do meu querido amigo. Essas malvadezas da vida. Se o ladrão conhecesse Naná, iria devolver na próxima madrugada, com um bilhetinho pedindo desculpas. Como disse há pouco meu amigo Magro Valadares, que já fez matéria com Naná, “podiam roubar a Komby de todo mundo nessa cidade, menos a de Naná”.



Todos estamos mobilizados, divulgando (a placa é KGZ 3021), mas vai ser difícil. Levaram o veículo que estava estacionado numa ruela do Poço, defronte à casa dele. Tudo indica ter sido encomendada. Uma malvadeza encomendada.



Peço ajuda aos meus leitores. Até se aprumar, Naná vai ficar um tempo sem trabalho, e precisa tocar a vida. A coisa mais triste da vida é ver aquele gordinho sem aquele largo sorriso. Dói no coração. Eu mesmo vou fazer tudo para ajudá-lo. Se eu tivesse dinheiro nesta vida, o que eu faria mesmo era dar uma Komby novinha para ele, hoje mesmo.



Quem puder dar uma pequena ajuda, vai a conta:



Evaldo Gomes de Moura



Banco Itaú



Conta Poupança 22907-0



Agência 1594



Andréa Ferraz e Marcelo Barreto estão fazendo um documentário com Naná. Tinham parado, por falta de tempo. Tomara que agora retomem. Naná merece.



Agradeço muito a quem ajudar.



PS. Quem quiser ajudar de outra forma, sem ser com dinheiro na conta, pode ligar para ele – 8773.3934. Ele vai abrir um largo sorriso, garanto.

 
Retirado de: http://www.estuario.com.br/2009/11/3
 
Vamo colaborar com o Naná!!!

25 Outubro 2009

Ardor

25 Outubro 2009
Sentiu o tecido da roupa colar em suas costas e acompanhando, um ardor que ia penetrando na pele até chegar na medula. Sentia sua carne queimar e essa sensação foi se espalhando pelas entranhas, que derretiam quase que instantaneamente. Se tornou pastosa por dentro, e antes que conseguisse ver quem tinha lhe causado tanta dor ou esboçar qualquer reação, percebeu sua pele sua ficando pastosa também. Sentia-se desesperada e impotente, e, quando tentou gritar, não conseguiu. Já havia se tornado apenas uma poça de cera derretida espalhada naquele chão frio.

No outro dia, o funcionário da limpeza olhava aquela quantidade de cera espalhada no chão e amaldiçoava quem havia feito aquilo... gente desocupada, pensava.

O causador daquilo, ao passar por ali e não ver nem mais o vestígio da cera no chão limpo, chorou. Nunca mais a veria.

13 Outubro 2009

Tratado rolístico do amor

13 Outubro 2009
- Ele disse que eu sou a personagem daquele filme, "Dez coisas que eu odeio em você".
- Hahahahaha!
- A durona que é conquistada pelo carinha lindo que morreu, o que fez o filme do caubói veado...
- Hahahaha... sabe em que é baseado o filme?
- Não...
- Em "A Megera Domada"... hahahaha.
- Sério? Nada como uma rola pra domar uma mulher, né?
- Hahaha. Sério mesmo.
- Coisa machista que eu acabei de dizer...
- Ô, menina, prestenção... todas as outras coisas que domam uma mulher a gente tem... então só sobra a rola mesmo pra nos domar... disfarçada da porra de amor.

26 Setembro 2009

Histórias para a posteridade

26 Setembro 2009
"Vovó se drogava, mas se formou!"


Sim, eu pretendo um dia dizer isso aos meus netinhos, quando eu estiver mostrando a eles o meu álbum de formatura em direito. E do alto dos meus sessenta e poucos anos (ou mais), isso vai me ser permitido sem culpa, e também, até lá, os pais deles já vão estar acostumados o suficiente com as excentricidades da própria mãe para não encher o saco quando nas minhas crises de sinceridade, contar pras crianças como é que vovó se divertia na pacata Aparecida.

Calma, gente! Vovó não se drogava e fazia sexo com estranhos em lugares suspeitos! Mas a vovó aqui já vai ter feito coisas o suficiente para que esse tipo de história não interfira no julgamento que fazem dela... o tal do nome a zelar(pelo menos eu espero que não).

Uma das melhores coisas no envelhecimento é o discernimento de que suas experiências não te tornam uma pessoa melhor ou pior, elas simplesmente fazem parte de você, especificamente de quem você é. Nesse sentido, com a maturidade e o passar dos anos, conseguimos rir mais de nós mesmos e encarar nossas bad trips com mais leveza e menos vergonha de admitir os próprios erros. E aí a coisa se torna divertida porque o julgamento alheio se torna secundário(quando se torna alguma coisa), e o resto não importa. E eu não sei vocês, mas eu pretendo rir muito contando minhas histórias estranhas pros meus netos, mesmo que seja sob protestos dos pais deles("Vovó está é gagá, não sabe o que diz!"). Se eles vão rir ou vão conseguir absorver alguma coisa positiva, já é outra história, que provavelmente eles vão contar na posteridade pros filhos ou netos deles.

18 Setembro 2009

Miopia d'alma?

18 Setembro 2009
Sabe quando você vê um conhecido na rua e dá aquele mega aceno e a pessoa nem tchuns? E você fica ali, naquele vácuo, rezando pra que ninguém te ache louco e morrendo de vergonha...?
É, pois é. Essa sensação é horrível.

Porém, muito pior é você demonstrar carinho pra alguém que não tá nem aí. O ridículo é cem vezes pior porque, bom, se uma pessoa não te vê, ela simplesmente estava distraída, ou é míope, ou tava longe ou outras mil coisas bobas. Ela podia até estar te ignorando, mas acaba por não fazer diferença, porque você nunca vai saber se foi esse o caso.

Agora, quando alguém simplesmente ignora um carinho seu, bom, é miopia de sentimentos, na melhor das hipóteses. Você tá ali que nem idiota se desmanchando pela pessoa e ela tá fazendo cara de paisagem... ou pior, finge que não é com ela e desconversa. Isso geralmente me faz sentir duplamente ignorada: a pessoa ignora uma atitude e isso leva a seguinte: ignora uma atitude sua, ignora você como um todo. Ou seja: você, nada ou uma samambaia surtem o mesmo efeito sobre aquele ser tirano e sem coração. E aí tem o vácuo, que nesse caso acaba por ser um abismo entre o ser e você.

E inexplicavelmente, nessas horas eu me sinto ri-dí-cu-la, fora a sensação de estar perdendo meu tempo e a vontade de nunca mais trocar palavra com a pessoa. Odeio descaso com o sentimento alheio. Odeio.

E vocês, o que me dizem?
 
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